segunda-feira, 5 de outubro de 2009

TAMBORO COMPETINDO NA PREMIÈRE BRASIL DO FESTIVAL DO RIO





TAMBORO, que na língua do povo ingaricó quer dizer: “para todos sem exceção”, é um filme de Sergio Bernardes que está concorrendo na Premiére Brasil do Festival do Rio na categoria documentário. O filme conta com importantes depoimentos de pensadores brasileiros como Leonardo Boff, Rose Marie Muraro, Aziz Ab´Saber, Ailton Krenak, Seu Jorge e anônimos que formam um Brasil multicultural, criando um tecido de depoimentos e imagens reverente à natureza, e amoroso com o habitante dessa terra. O filme traz uma necessária e atual reflexão sobre nosso país, uma edição emocionante, e trilha sonora do próprio Sérgio, que gravou separadamente os sons das cenas filmadas, e música do maestro Guilherme Vaz.




Como poucos brasileiros, Sergio Bernardes filmou o país e o seu tempo. Foram anos de livre pensar o cinema. Temas como diversidade cultural, meio ambiente e ecologia são palavras-chave da poética bernardiana e paradigmáticas dos tempos atuais. O planeta está se dando conta de que a natureza é vulnerável e passível de ser irremediavelmente destruída. Em TAMBORO, último filme do cineasta, que morreu prematuramente em 2007, Sergio tratou destas questões cruciais, criando uma obra absolutamente singular e única no cinema nacional.



Para Sergio Bernardes, a questão não é nem ecológica nem sociológica, mas civilizatória. A dificuldade de pensar o Brasil é não se perder entre uma natureza sagrada e uma sociedade mutante. Temos que estar à altura tanto da sociedade como da natureza brasileiras, saber olhá-las no que elas têm de singular. As imagens do Monte Roraima e dos Lençóis Maranhenses provocam uma estupefação diante do sublime. Palavras não bastam. Como lidar com estes templos de pureza sem tomá-los como meros colírios ecológicos? Como pode um país possuir intocadas estas matrizes originais de um mundo pré-diluviano junto com as mais graves deformações urbanas e sociais? Para além da relevância temática e da profunda atualidade da obra, a forma como Sergio faz cinema rompe as fronteiras da linguagem documental, tradicionalmente assentada em uma ordem do pedagógico-histórica. Em TAMBORO, a história do país é contada com uma intensidade independente da narrativa, do envolvimento com a trama. Sergio Bernardes fez um cinema que instiga o olhar para os instantes das imagens, assim como para o seu movimento. Convida e emociona o público a refletir livremente sobre o Brasil.




Para o crítico de arte e curador do MAM/RJ, Luiz Camillo Osorio, “Desde Glauber-Oiticica-Tropicalismo poucos ar-tistas conseguiram por o Brasil para pensar-se a si mesmo. Sergio Bernardes é um artista-visionário e nesta obra, o que menos importa é o que já se sabe, viu e ouviu, mas sim tudo que ainda está para ser dito/visto/ouvido. O cineasta percorreu o Brasil por dentro e pelas beiradas e sabe da sua inviabilidade maravilhosa.”

O filme TAMBORO será exibido nas seguintes sessões:

Sessão de Gala
5 de outubro, 2ªf. 17h15Cinema Odeon Petrobras.
Sessões Estação VIVO Gávea
6 de outubro, 3ªf. 13h30 e 20h sala 3

Sessão Popular
7 de outubro, 4ªf. 15h
Cinema Odeon Petrobras

Debate
7 de outubro 4ªf 17hGalpão da Cidadania

Nenhum comentário:

Postar um comentário